Web 2.0

Web 2.0 e suas ferramentas

O termo Web 2.0 se refere a uma suposta segunda geração de serviços de internet. Como toda forma de classificação histórica, não podemos dizer exatamente quando termina ou começa este período cronologicamente. A expressão Web 2.0 foi primeiramente cunhada pela empresa O?Reilly Media, e desdobrou-se em uma séria de conferências e livros atingindo grande popularidade nas comunidades de desenvolvimento web.

Uma observação de padrões em comum de negócio e tecnologia em uma variedade de projetos web que estão surgindo levou a dita cuja classificação "Web 2.0". 

Os sites deixam de ter uma caracteristica estática para se tornarem verdadeiros aplicativos no servidor. As funcionalidades dos sites são muito mais poderosas, lembrando a sofisticação de softwares que rodam no desktop de seu PC. Certamente hoje é mais complexo (e na maioria das vezes mais custoso) desenvolver um serviço web competitivo do que há alguns anos. Estes, sites aplicativos, tem também uma integração mais eficiente com a interface no cliente (browser) ? que passa a ser mais poderosa com protocolos como o AJAX, que podem gerar uma usabilidade mais intuitiva e que resembla as interfaces escritas em código de baixo nível ( C++ e afins ).

Apesar de o termo AJAX ter sido usado pela primeira vez em 2005, as tecnologias que englobam o termo tiveram início ainda no final da década de 90, nos navegadores de geração “4” (Internet Explorer 4.0 e Netscape Navigator 4.0), que introduziram suporte a técnicas de Remote Scripting. Com o lançamento da versão 5.0 do Internet Explorer em 2000, e com a estagnação do Netscape Navigator (que mais tarde teve seu código fonte aberto gerando o Firefox), a Microsoft inaugurou uma forma mais elegante de remote Scripting com o XMLHttpRequest.

Daí até os dias atuais o conceito só evoluiu, ganhando força e notoriedade recentemente. Linguagens e frameworks de desenvolvimento rápido para web (RAD) já existiam antes da Web 2.0. Pode-se citar a linguagem ColdFusion da Allaire (1995) e o Fusebox (1998). A sindicância de conteúdo (famosa hoje pelo RSS), já chamada no passado de “conteúdo push” já era conhecida de usuários do Internet Explorer 4.0 e o seu serviço ActiveChannels.

Agências de notícias como a Reuters já utilizavam sistemas de intercâmbio de conteúdo e notícias entre agências e consumidores de notícias muito antes do surgimento da Web 2.0, sistemas estes que inclusive foram os precursores dos padrões atuais. O próprio XML data de 1997. A portabilidade de sistemas para dispositivos móveis (a tão aclamada "convergência") é um discurso antigo, que antecede em muito a Web 2.0, e que sempre esteve em constante evolução, cujo passo inicial remonta os primeiros dispositivos móveis, sejam eles celulares ou PDAs.

Tradicionalmente sites e aplicativos evoluiam com lançamento de versões 1.0, 2.0, 3.0 etc. em programas feitos para a rede nunca chegaremos a ter uma versão final, eles vão estar em completa evolução. No mais, pelo facto do aplicativo estar em rede, o feedback de usuários e constante teste de funcionalidades torna-se um processo sem necessariamente uma interrupção por versões. Assim, sites/aplicativos ficam em num estado de "beta eterno", denotando uma evolução sem fim.

Recentemente houve uma explosão da audiência em sites que formam e catalisam comunidades, tais como Facebook, Orkut e My Space, entre outros. Na verdade, estas redes de pessoas sempre existiram desde os primórdios da internet (BBS, chat, fóruns etc.). O que aconteceu foi uma aceleração recente do número de usuários destas comunidades devido a maior riqueza de conceito e sofisticação tecnológica dos "sites aplicativos", somados a um aumento da base instalada de banda larga.  O conteúdo passa a ser dinâmico e sua publicação muito mais flexível, tanto por editores profissionais como pelos proprios usuários.

Ferramentas de publicação multi-plataforma (PC, celular, PDAs, IPTV) geram poder e eficiência jornalistica à sites de notícias, por exemplo. Ao mesmo tempo, o próprio usuário passa a gerar conteúdo (ex. YouTube), classificá-lo e mesmo parcialmente editá-lo usando formatos como RSS, ou Really Simple Syndication (ex. Netvibes). As "Wikis" são talvez a forma mais extrema de edição colaborativa, onde qualquer pessoa teoricamente qualificada pode melhorar a qualidade de determinado conteúdo (ex. Wikipedia).

Tradicionalmente o conteúdo era classificado para o usuário, ou mesmo pelo próprio usuário em categorias pré-definidas. As Tags geraram uma taxonomia "invertida", onde conteúdos se auto-classificam em categorias definidas (ex. del.icio.us).  De qualquer forma, a Web 2.0 marcou o amadurecimento no uso do potencial colaborativo da Internet.

No jornalismo, por exemplo, a produção colaborativa tem sido usada para aumentar a gama de assuntos abordados em portais de notícias. Terra, UOL e iG são exemplos de empresas que permitem a qualquer usuário publicar suas próprias notícias. Dessa forma, além de dar ao usuário a sensação de interagir/fazer parte do portal, essas empresas conseguem ter um volume de notícias que não conseguiriam caso tivessem de remunerar profissionais para produzi-las.

A mesma lógica de "monetização" do conteúdo colaborativo tem sido usada em comunidades de nicho. O site Outrolado, do portal UOL, convida participantes a escreverem artigos sobre Internet e tecnologia no site. Com isso, o portal oferece renome e visibilidade aos usuários que tiverem seus artigos publicados e ao mesmo tempo viabiliza seu negócio, disponibilizando conteúdo relevante sem necessidade de remunerar financeiramente todos os autores.  Colaborativamente, a web 2.0 também pode ser usada como uma ferramenta pedagógica para a construção de conceitos.

É neste sentido que a chamada “arquitetura de participação” de muitos serviços online pretende oferecer além de um ambiente de fácil publicação e espaço para debates, recursos para a gestão coletiva do trabalho comum. No entanto, devemos estar atentos ao fato de que, quando se discute o trabalho aberto e coletivo online, não se pode pensar que não deva haver a regulação das relações.

Igualmente ao trabalho coletivo não virtual, há sempre possibilidade de termos que lidar com ações não prudentes e desvinculadas do objetivo principal do projeto. Uma rede social online não se forma tão e somente pela simples conexão de terminais. “Trata-se de um processo emergente que mantém sua existência através de interações entre os envolvidos”.

Glossário da Web 2.0

AdSense: Um plano de publicidade do Google que ajuda criadores de sites, entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com o seu trabalho. Tornou-se a mais importante fonte de receita para as empresas Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google oferece anúncios relevantes para o conteúdo de um site, gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for clicado.

Ajax: Um pacote amplo de tecnologias usado a fim de criar aplicativos interativos para a web. A Microsoft foi uma das primeiras empresas a explorar a tecnologia, mas a adoção da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line, mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax (abreviação de "JavaScript e XML assíncrono") uma das ferramentas mais importantes entre os criadores de sites e serviços na web. 

API: Interface de Programação de Aplicativos. É o conjunto de códigos usados na criação de programas para um determinado site ou serviço. O livre acesso às APIs de um site ou programa (API aberta) permite que programadores desenvolvam novos aplicativos, novas funções para ele.

Beta: “Versão beta” é um termo usado para dizer que determinado programa está em testes. No mundo da tecnologia, é a versão do software lançada para testes antes da versão final.

Blogs: Sites pessoais de fácil criação e publicação de mensagens. Podem ser no estilo diário ou especializados em determinados assuntos. As mensagens são organizadas geralmente por ordem cronológica, com as mais recentes no topo da página. Elas podem ser classificadas com palavras-chave que facilitem uma filtragem por parte do leitor, que pode também, na maioria dos blogs, deixar comentários.

Blogosfera: Nome dado à comunidade de “blogueiros”, internautas que mantém blogs e dialogam entre si, seja através de comentários ou posts comentando o blog alheio. A etiqueta blogueira manda dar o link sempre que um blog ou post é citado, criando uma rede.

Bookmarks: Assim como dá para fazer uma lista de sites favoritos no navegador de internet, é possível manter uma online em um site específico. Os favoritos são chamados de bookmarks (do inglês, marcador de páginas).

CGU: Conteúdo Gerado por Usuário. Pode se referir tanto a arquivos criados por usuários quanto à personalização de conteúdo e a aplicativos desenvolvidos por eles.

Efeitos de rede: É quando um site, programa ou serviço proporciona a formação de uma rede de usuários, como acontece nos sites de relacionamento ou de compartilhamento de imagens.

Feed RSS: Significa “alimentar” em inglês, e se refere às mensagens do RSS indicando atualizações de determinado site.

Feedreaders: Leitores de feeds. São programas que agrupam todos os feeds que uma pessoa assina.

Folksonomia: Classificação colaborativa de conteúdo (sites, músicas, filmes, textos etc.) com palavras-chave, (também chamadas de keywords, marcadores e tags) livremente escolhidas. Contrasta com a taxonomia, que é a classificação de conteúdo mais rígida, com marcadores previamente definidos. A liberdade na escolha de marcadores da folksonomia (o prefixo “folks” quer dizer “amigos”, em inglês) permite que os internautas usem palavras de vocabulários próprios de cada comunidade, fazendo com que outros usuários interessados no mesmo assunto encontrem o conteúdo mais facilmente.

Internauta: Usuário de internet.

Marketing viral: É o marketing aliado aos efeitos de rede. São os usuários que divulgam atualizações, novos produtos ou peças publicitárias de maneira livre por interesse próprio. Eles repassam informações por e-mail ou as publicam em sites por achar interessante ou divertido. Para as empresas é ótimo por aliar baixo custo à boa aceitação do público. O termo “viral” é usado metaforicamente para fazer um paralelo com a forma “contagiosa” como vírus se propagam.

Mash-up: Quer dizer “mistura”, em inglês. Trata-se da combinação articulada de aplicativos de diferentes sites em um só. Exemplo: um site de indicações de restaurante que combina ferramenta de pesquisa com sistema de localização, comparação de preços e telefonia via web (VoIP – Voz sobre Protocolo de Internet).

Open source: Significa código fonte aberto. Programas open source divulgam seus códigos fonte para que qualquer pessoa com conhecimento de programação possa modificá-lo, ampliá-lo e melhorá-lo.

P2P: Peer-to-peer. Rede ponto a ponto. Diz-se da rede de conexão entre dois ou mais computadores que não tem relação de cliente/servidor, mas se conectam para trocar arquivos de áudio, vídeo, texto e outros formatos.

Permalink: É o link associado a um post específico de um blog permitindo que este possa ser acessado diretamente mesmo que haja diversas atualizações na página.

Podcast: Uma espécie de blog em áudio, com periodicidade de atualização.

Post: “Publicar”, em inglês. São as mensagens publicadas em blogs, também chamadas de postagens ou entradas.

RSS: Abreviação de "really simple syndication" [distribuição realmente simples], é uma maneira de distribuir informação por meio da internet que se tornou uma poderosa combinação de tecnologias "pull" com as quais o usuário da web solicita as informações que deseja e — tecnologias "push" — com as quais as informações são enviadas a um usuário automaticamente. O visitante de um site que funcione com RSS pode solicitar que as atualizações lhe sejam enviadas (processo conhecido como "assinando um feed"). O presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates, classificou o sistema RSS como uma tecnologia essencial 18 meses atrás, e determinou que fosse incluída no software produzido por seu grupo. 

SEO: Search Engine Optimization, que significa Otimizador de Ferramenta de Busca. Trata-se de técnicas para melhorar a colocação de determinado site nos resultados de buscadores como o Google, geralmente associando o conteúdo a marcadores (tags) específicos e relevantes.

Tagging [rotulação]: Uma versão Web 2.0 das listas de sites preferidos, oferecendo aos usuários uma maneira de vincular palavras-chaves a palavras ou imagens que consideram interessantes na internet, ajudando a categorizá-las e a facilitar sua obtenção por outros usuários. O efeito colaborativo de muitos milhares de usuários é um dos pontos centrais de sites como o del.icio.us e o flickr.com. O uso on-line de tagging é classificado também como "folksonomy", já que cria uma distribuição classificada, ou taxonomia, de conteúdo na web, reforçando sua utilidade.

Wikis: Páginas comunitárias na internet que podem ser alteradas por todos os usuários que têm direitos de acesso. Usadas na internet pública, essas páginas comunitárias geraram fenômenos como a Wikipedia, que é uma enciclopédia on-line escrita por leitores. Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma maneira fácil de trocar idéias para um grupo de trabalhadores envolvido em um projeto.


Breve história de sites Web 2.0

Blogger: Agosto de 1999 é um mês que confirma a ascenção dos blogs, uma pequena empresa de São Francisco, Pyra Labs, lança o Blogger, um sistema de publicação de blogs. O Blogger ajudará a popularizar este formato. Em 2003 é adquirido pela Google.

Wikipedia: No ínicio do ano de 2001 nasceu a Wikipedia. Jimbo Wales, com a ajuda de Larry Sanger, inicia o projecto: uma enciclopédia livre e poliglota baseada na colaboração. Ela se tornará a enciclopédia mais gigantesca da História. Em meados de 2008, supera os 10 milhões de artigos em mais de 250 idiomas. A palavra  Wikipedia combina “Wiki” (que significa “rápido” em Havaianos) com “Paideia” (“educação” em grego).

Second Life: Junho de 2003 nasce o “Second Life” um mundo virtual onde qualquer pessoa pode viver por meio de um avatar ou personagem. A ideia desenvolvida pela Linden Lab, é um grande sucesso: dezenas e milhares de pessoas se movimentam diariamente pelo Second Life.

Facebook: O Facebook mostra a sua cara no mês de Fevereiro de 2004, pensando nos ses colegas de Harvard, o estudante Mark Zuckerberg cria um site de redes sociais. O nome alude ao folheto que os recém chegados recebem com a foto dos seus companheiros para ajudar a identificá-los. Logo, ele iria além do mundo universitário. Em 2008, conta com 100 milhões de usuários activos.

Flickr: As nossas fotos no Flickr começaram a ser possíveis em Fevereiro de 2004, no início o Flickr era um jogo online, mas logo se torna o lugar ideal para guardar e compartilhar fotos e vídeos. No início de 2008, já havia superado 2 biliões de fotos.

Digg: O Digg nasce em Dezembro de 2004, é um sire especializado em notícias sobre ciência e tecnologia. Criado por Kevin Rose, Jay Adilson entre outros, seu control editorial é democrátco já que depende dos votos dos usuários. O Digg é um dos sites emblemáticos da Web 2.0.

Youtube: Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim fundam um site que permite aos usuários compartilhar vídeos digitais, estavamos em Fevereiro de 2005. A facilidade dpara alojar vídeos pessoais de até 10 minutos de duração o tornam extremamente popular e às vezes polémico. A Google adquiria o Youtube em 2006, um mês depois é considerado o “Invento do Ano” pela revista Time.